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De manhã, Leandro ainda ofereceu café-da-manhã. Preferimos não abusar, agradecendo.
Pegamos a mesma estrada da noite passada, para chegar enfim em Mucugê. Paramos de novo no bairro Cemitério, de dia, o lugar parecia pacato. Tiramos fotos rapidamente e voltamos à estrada.

Chegando em Mucugê, vimos a Chapada Diamantina de frente, enorme, incrível, sentimos que nossa viagem iria se reconfigurar nos próximos dias.
Mucugê, cidade turística, logo na entrada, um cemitério bizantino, esquisito aquilo ali, mas se diz que a presença de uns turcos que procuravam diamante na região no século dezenove misturada com um monte de mortes devido a surtos de varíola na mesma época fez aquele cemitério existir naquele lugar e daquele jeito, todo branco, pontiagudo, no meio das pedras, o turísmo aproveita, todo mundo acha lindo.
Dentro da cidade, casinhas tradicionais misturada com casas burguesas, sol e calmaria.
Paramos, não sei por que, para fotografar uma Assembléia de Deus e por acaso um louva-a-deus, não com terno e bíblia na mão, mas um inseto mesmo, subiu na nossa mochila enquanto estávamos em pé no chão, subimos na moto e fomos até um bar próximo, o louva-a-deus chegou no bar de moto conosco. Pedimos dois lanches.
O lanche demorou um bom tempo para ficar pronto, e enquanto esperávamos percebemos o louva-a-deus andando sobre nossos corpos, olhando para a gente, virava a cabeça como um cão quando ouve um barulho estranho.
Aquele inseto parecia domesticado, se o colocávamos sobre a mesa, ele estendia suas patas finas e frágeis para nós, e se o tocávamos com a mão, ele subia nela satisfeito.
Brincamos com o louva-a-deus por quase uma hora, depois chegou o lanche e o esquecemos, e nunca mais o vimos.
De Mucugê fomos à Andaraí, observando a paisagem vimos uma placa que indicava “Poço Encantado”, na estrada, bem perto da placa, havia um rapaz parado, perguntamos sobre o Poço, e ele confirmou que estava interditado, o dono da propriedade onde fica o poço fez, na melhor das boas intenções, uma escada de concreto, para o pessoal descer com mais segurança, o Ibama interditou, e multou o homem em alguns milhares de reais. Seguimos em frente. Em Andaraí, paramos para tomar água-de-coco, o homem que nos atendeu tinha sotaque paulista, perguntei de onde ele era, o homem respondeu que era de Ribeirão Preto ao mesmo tempo em que oferecia uma esfirra de palma que acabava de sair do forno. Disse ainda que teve uma escola de inglês durante quinze anos em Campinas e agora estava na Chapada, trabalhando com turismo e vendendo esfirra de palma.
Chegamos em Lençóis só no final da tarde, onde contatamos pessoalmente uma amiga virtual do Everaldo, amigo real do Neander em Campinas.
A moça, Juci, nos recebeu. Acolheu a gente na casa de uma francesa que estava na França. A Juci tomava conta da casa, morando lá. A francesa tinha em seu quintal, além da sua casa (reciclável, como dizia Juci), dois chalés, num deles morava Thierry, francês também, pai de Noam, filho da Juci, o outro chalé Juci emprestou para a gente. E contou que foi a própria francesa quem construiu os chalés, com troncos de árvores , telhas, garrafas de vidro coloridas e pratos quebrados em quatro partes que serviam para entrar luz, cimento misturado com barro, um banheiro de pedras, habitado por calangos e borboletas, a mulher era arretada, dizia Juci, e o lugar era incrível.
Na primeira noite em Lençóis, saímos com Juci para jantar, tomamos cervejas e licor de pimenta, batida de café e de coco e pinga de pitomba. Lençóis é a cidade mais turística da Chapada, muito freqüentada por europeus, a comida do lugar é requintada, e além de vender todos os pratos que são comercialmente típicos da região oferece também a culinária básica de outros países, os preços são até razoáveis.
No dia seguinte resolvemos fazer um passeio turístico comum, mas como o preço era muito alto, cerca de 70 reais por pessoa para visitar rapidinho os pontos mais conhecidos e mais fáceis de se chegar, resolvemos seguir de moto o carro de uma empresa de turismo, o negócio deu certo, fomos no Poço do Diabo, no Morro do Pai Inácio, chegou num ponto em que a perseguição estava tão escancarada que o guia pediu para a gente deixar a moto num posto de gasolina e entrar no carro da agência de turismo, entramos, ninguém reclamou, e ainda fomos no Rio Pratinha e por fim, já quase no fim da tarde, na Gruta da Fumaça, estalactites, estalagmites, elegtites (contra a lei da gravidade, estalactites que mudam o sentido de baixo para cima, no meio de uma formação que demora dezenas de anos para aumentar um centímetro), um outro mundo, um sonho bom.
No dia seguinte fomos a pé ao Ribeirão do Meio, escorregar numa pedra gigante, além disso dormimos bastante na Chapada, o chalé era muito confortável e a Juci muito receptiva, na despedida ela até nos deu um sabonete francês de lembrança, que foi muito útil durante a viagem, ele era grande, nem cabia na saboneteira, durou até chegarmos em casa, em Campinas, e fomos assim, tomando banho em posto de gasolina com sabonete francês, porque a gente é muito fina mesmo.
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Oi, Cinthia.
A Chapada Diamantina é um lugar demais mesmo. E muito grande, tanto que nem dá para conhecer tudo numa só viagem. Dá muita vontade de voltar pra lá.
As fotos desta página estão demais. Muito louco esse louvadeus.
Bom, é isso.
A propósito, Feliz Aniversário.
Beijos.
Comentário por Gustavo T. Santos março 19, 2010 @ 11:09 am